Nishikawa Sukenobu foi um dos mais importantes gravuristas do
Período Edo (Ukiyo-e), tendo recebido treinamento em pintura nos estilos Tosa, Kanô e
Ukiyo-e, logrando obter notável sucesso.
Como pintor e gravurista de folhas simples (Ichimai-e) sua produção é pequena.
Em verdade, Sukenobu destacou-se e teve uma obra grandiosa como ilustrador de livros.
Durante muito tempo, produziu incógnito, razão pela qual é difícil
identificar seus primeiros trabalhos. Sabe-se que, como anônimo, em 1699, ele foi o
responsável pelas ilustrações de um trabalho de ficção conhecido como Ukiyo-zôshi
(notas de um mundo flutuante) e em Yashua hyôbanki (críticas de atores). Seu
primeiro trabalho assinado apareceu em 1708.
Sukenobu, durante sua vida, ilustrou em torno de duzentos livros, usando como temas jovens
mulheres, cenas do cotidiano, eventos de sua época, contos históricos e lendas do
Japão.
Na média, o nível de qualidade apresentado em seus trabalhos é elevado, comparando-o
com outros ilustradores de sua geração. Sua virtuosidade é ressaltada nos vários
estilos aplicados, com traços de rara e insuperável beleza, ficando patenteada sua
influência sobre as novas gerações de artistas japoneses, tanto na região de
Osaka-Kyoto, como em Edo (futura cidade de Tóquio).
Entre seus principais livros, destaca-se Sumizuri-e, com desenhos a nanquim,
publicado em 1739 por Kikua Kihei, em Kyoto. Este livro teve um só volume, mas contou com
uma segunda edição, na qual se acrescentaram um prefácio e seis novas pranchas. Outra
obra importante foi o livro Ehon Asakayama, ou Pinturas do Monte Asaka. Asakayama
pode ser traduzido, também, de forma poética, como Monte do Perfume da Alvorada
e, com efeito, perfumes foram adicionados à capa do livro, para dar essa conotação.
Ao contrário de Edo, desenhos isolados não eram comuns em Kamigata durante a década de
1730, mas as poucas obras revelaram Sukenobu como excelente retratista. Não lhe foi
possível desenvolver melhor essa arte, pela falta de mercado para folhas soltas.
O colorido aplicado em seus trabalhos era de qualidade discutível, o que leva a crer que
os editores, para baixar os custos de produção, contrataram, a baixos salários,
coloristas amadores, que se encarregaram de pintar as pranchas em cada livro. Não havia
unidade de cores mas pode-se encontrar raros exemplares em que a qualidade das cores é
sensivelmente melhor.
Questiona-se, de qualquer forma, se o colorido não adulterou a originalidade das pranchas
produzidas por Sukenobu. Com efeito, a beleza das linhas e a simplicidade de sua
produção monocromática são o que há de mais representativo da arte japonesa no estilo
Sumizuri-e.
Especialistas na arte oriental,
estudando essas pranchas, concluem que, eliminada a cor, os trabalhos de Sukenobu ganham
maior realce; ao contrário, mantendo-se o colorido, parte dessa expressividade é
ofuscada, alterando-se, com a cor, a concepção original das obras.
Fonte: Universidade da Califórnia @
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