O primeiro fato concreto assinalando a existência de Okumura Masanobu é um
album de 1701, no qual ele faz a releitura de uma série de gravuras criadas por Torii
Kiyonobu (1664-1729) no ano anterior.
Durante os vinte anos seguintes, Masanobu produziu
um sem número de álbuns e de gravuras soltas para editores em Edo (a futura cidade de
Tóquio).
Na década de 1720, tomou uma medida
inesperada e singular, qual seja, montou sua própria editora, o que lhe permitiu
controlar pessoalmente o desenvolvimento e propagação da própria arte, ao mesmo tempo
que aumentava sua renda, que já não precisava ser compartilhada com os editores.
A ação de Masanobu como editor trouxe uma
revolução no trabalho de xilografia, pois, pela primeira vez, matrizes múltiplas de
madeira permitiram a impressão de gravuras a cores, dispensando o trabalho dos coloristas
e dando mais unidade às cores produzidas, o que não era possível com a operação
manual.
Massanabu tornou-se então o carro-chefe da
vanguarda criativa dentro do Japão, inovando tanto na criação dos motivos como no
desenvolvimento desses temas. Não obstante, ao que parece, teve poucos discípulos, entre
eles, Okumura Toshinobu (1717-1750), que era seu filho adotivo.
Estudiosos, através dos tempos, sempre
acreditaram que Massanabu era um autodidata, porém, alguns de seus primeiros trabalhos
já apresentavam tamanha habilidade que, mais provavelmente, ele, desde o começo, vinha
recebendo algum tipo de instrução formal.
Muito embora a maior parte de seu trabalho
tenha sido apresentado no formato de álbum, é certo que muitos de seus desenhos também
vieram a público em imagens soltas, no formato kakemono (rolos pendurados).
Uma dessas pinturas, que pode ter sido feita
em cópia única, traz como motivo uma cortesã, vestindo um elegante quimono, decorado
com versos poéticos, escritos com bela caligrafia.
O conjunto se harmoniza e se completa. A
energia frenética da caligrafia realça as linhas dinâmicas do quimono, criando uma
tensão insinuante entre a figura da mulher e o texto. Trata-se de uma composição
perfeita entre os dois elementos, mostrando o controle do artista sobre o trabalho que
estava desenvolvendo.